Liderar é cuidar de gente

Quatorze meses passados e não aprendemos muito sobre o momento que vivemos. Pelo menos não a real e necessária base de saberes.

Aprendemos sobre ferramentas digitais, sobre novos protocolos de reuniões (e também sanitários). Todavia, seguimos ignorando a importância dos ciclos de vitalidade - que são infinitamente mais poderosos e necessários que os do trabalho, por exemplos, até porque estes últimos dependem necessariamente daqueles primeiros e o contrário não é verdade.


A todo instante você deve ser deparar com demandas emocionais nos espaços que lidera e, se você não tem percebido isso péssima liderança você é. E não sinto nenhum pouco dizer isso.


Não deveria ser esse um tempo de falar sobre o quão importante e fundamental que antes de cobrar - de funcionários e colaboradores: produtividade (oi?), horários à frente de uma tela ou no espaço presencial de trabalho, você deveria se cobrar liderança servidora e ativa, aqui considerando as suas próprias fragilidades absolutamente parte do processo e transparentes.


Sabe aquelas reuniões aborrecíveis, na sua opinião, com a equipe? Se antes da pandemia você as fazia uma vez por mês, agora deveria fazê-las semanalmente, no máximo quinzenal.


Estar perto das pessoas. Olhá-las nos olhos. Perguntar sobre suas dores e sobre como estão passando esse momento. Promover interação entre os membros da equipe. Conexão.

Não deveríamos jamais desprezar a necessidade, o valor, a potência disso.

Cada um que se resolva na terapia. Dirão alguns. Aqui é trabalho e importam as tarefas e o cumprimento das responsabilidades. Fazer entregas.

Você realmente não entendeu (e talvez jamais entenda) o que é ser líder.
Você realmente não entendeu (e talvez jamais entenda) que seres humanos não são compartimentados, mas um todo indivisível.
Você realmente não entendeu (e talvez jamais entenda) o que é serviço.

A nossa desumanidade nos trouxe às guerras do cotidiano, que matam emoções - não percebidas muitas vezes, e aquelas que dizimam milhões de pessoas, os genocídios. Também nos trouxeram as pandemias porque, para não precisarmos de uma tese, nos configuramos como autoridades sobre todas as formas de vida e assim, desequilibramos a existência.


Esquecemos que todas as formas de vida importam e tem função necessária. Assim como, por exemplo, no mundo do trabalho, onde todas as funções importam, e a ausência de uma desequilibra o ecossistema inteiro que compomos.


Líderes sabem disso e se dedicam a trabalhar para que o ecossistema, antes de produzir os resultados do cumprimento das tarefas, se construa e se mantenha saudável. Assim ele tem mais chances de suportar as intempéries e se tornar sustentável.


Se você não tem clareza disso e não se dedica a aprender sobre isso, praticando, então você, definitivamente não é líder. É apenas mais uma pessoa explorando uma cadeia de produção e consumo.


A primeira grande e fundamental habilidade de uma liderança é cuidar de gente. E neste ponto, apenas para sermos bem objetivos, gente é o maior e mais importante ativo de qualquer negócio.

Tenha muito cuidado. Observe-se. Desenvolva-se líder.


Se assim não fizer, pouco ou nada adiantarão as mil técnicas de gestão de negócios, marketing e outras tantas necessidades da jornada empreendedora. Uma hora a casa ruirá porque não tem sustentável saudável.

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